Sem nomes. Só números. Catorze cenas líquidas num quarto pequeno de Lisboa, hip hop dos 90 a bater na parede e duas pessoas atrás do balcão que já sabem o que bebeste da última vez.
Hoje ninguém precisa de sair de casa. É por isso mesmo que se sai.
O Catfish não vende bebidas. Vende vinte metros quadrados de atenção a sério. Alguém que olha nos olhos, pergunta do que gostas, e depois rasga a carta toda para fazer outra coisa qualquer só para ti.
Duas pessoas com anos de balcão nas costas que abriram a sua própria sala. Mais pequena, mais escura, mais delas. Vinte e poucos lugares, luz baixa, quatro mãos. Não há mais nada, e é isso que ninguém consegue copiar.
1250 004. Porta discreta, sala pequena, sem placa a gritar e sem fila lá fora. Bate e entra.
Cães entram. A playlist é hip hop, clássicos dos 90 com coisa nova por cima. A sala é pequena, por isso ao fim de semana avisa antes.